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A Universidade Eduardo Mondlane (UEM) continua a ser a instituição em que os profissionais de Recursos Humanos mais confiam para recrutar novos talentos, mas o primeiro Índice de Confiança dos Profissionais de RH nas Instituições de Ensino Superior, divulgado em Agosto de 2026 pela LESHY Multiservices, NHP Consultoria & Serviços e BD Consultoria Empresarial, revela um mercado de trabalho moçambicano bem mais diverso e especializado do que a liderança da UEM sugere à primeira vista.
O estudo, realizado entre Abril e Maio de 2026, recolheu 506 respostas válidas: 349 de profissionais de Recursos Humanos e 158 de estudantes universitários e do ensino secundário, abrangendo 27 instituições de ensino superior nacionais, entre universidades, institutos superiores politécnicos, institutos superiores e escolas superiores. Os autores são claros quanto à natureza do exercício: trata-se de uma pesquisa de opinião e de impressões, baseada na percepção directa de quem recruta, e não de uma avaliação institucional oficial.
Uma liderança concentrada, mas não absoluta
No ranking geral de confiança, a UEM surge em primeiro lugar (37,4% das preferências, com referência em seis das oito áreas do saber analisadas), seguida da Universidade Pedagógica de Maputo (10,9%) e da Universidade Joaquim Chissano (6,8%). Mas o dado mais relevante está fora do pódio: em Educação e Formação de Professores, a UP Maputo domina com 71,2% das preferências, e em Direito, Relações Internacionais e Governança é a UJC quem lidera, com 48,1% contra 35,6% da UEM. Em Comunicação, Artes e Cultura a tendência inverte-se por completo: o Instituto Superior de Artes e Comunicação (42,6%) e a Escola Superior de Jornalismo (31,2%) superam a UEM (23,3%), confirmando que, nestas áreas, a especialização de nicho pesa mais do que a reputação generalista.
Onde o mercado mais sofre para recrutar
Questionados sobre as áreas com maior dificuldade de recrutamento, os profissionais de RH apontam a Engenharia como o principal gargalo (66 menções), seguida do Petróleo e Gás (20), dos próprios Recursos Humanos (19), da Contabilidade e Finanças (17) e das Tecnologias de Informação (15). O relatório sublinha, com alguma surpresa, que áreas de suporte como RH e Contabilidade surgem entre as mais difíceis de preencher, o que aponta para fragilidades nas competências dos recém-formados nessas áreas.
Estudantes escolhem por paixão, o mercado precisa de outra coisa
Do lado dos estudantes, 56,7% afirma escolher o curso por paixão e interesse pessoal, e quase metade (48,8%) prefere estudar em Moçambique. O cruzamento entre as preferências dos estudantes e as necessidades reportadas pelos recrutadores expõe, no entanto, um desalinhamento crítico: a Cibersegurança e as áreas de Compliance concentram uma escassez severa de talento no mercado, mas atraem apenas 12,5% do interesse vocacional dos estudantes inquiridos. Gestão e Negócios é, pelo contrário, a área mais alinhada entre procura e oferta.
Um retrato ainda parcial, por admissão dos próprios autores
O relatório assume abertamente as suas limitações: a amostra está concentrada em Maputo Cidade e Província (95,4% dos estudantes respondentes), a recolha foi feita exclusivamente por via digital, a amostra de estudantes é reduzida (n=157) face à de profissionais de RH (n=349), e não foi possível desagregar os dados por género nesta primeira edição. Esta é, precisamente, a primeira de uma série: os autores anunciam já a expansão geográfica a Nampula, Beira, Tete e Pemba em 2027, e a criação de um Observatório Nacional de Empregabilidade a partir de 2028.
O relatório completo, com a análise detalhada por área do saber e o ranking integral das 27 instituições avaliadas, está disponível para download gratuito abaixo.
Descarregar o Relatório de Pesquisa completo (PDF)